Museu do Queijo de Peraboa atinge os dez mil visitantes

Museu do Queijo de Peraboa atinge os dez mil visitantes

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museu queijoCOVILHÃ – O museu do queijo atingiu, na semana passada, os dez mil visitantes pagantes.

A faltar dois meses para o segundo aniversário, as expectativas foram francamente ultrapassadas, face à conjectura económica que o nosso país atravessa.

Inaugurado a 14 de maio de 2011, pelo Presidente da Câmara Municipal, Carlos Pinto, e pelo Presidente da Junta de Freguesia de Peraboa, José do Nascimento Costa Curto, o museu tem surpreendido os seus visitantes com as tradições ligadas ao queijo e a transumância. O museu do queijo valoriza o Saber Fazer, onde se pode experimentar vivenciar todo o ciclo do queijo.

Numa área bruta de 634 metros quadrados, disponibiliza: recepção/informação, diversas salas temáticas, projecção 2D e 3D, jogos interativos, jardim interior, sala de degustação…É uma verdadeira viagem sensorial, pois no final o visitante pode degustar três variedades de queijo. É uma verdadeira viagem sensorial, pois no final o visitante pode degustar três variedades de queijo. Este museu foi projetado pelo arquiteto Miguel Carreira com conteúdos da empresa Lobby.

Para o Presidente da Junta de Freguesia, José Nascimento, satisfeito: “o número de visitantes é extremamente positivo. Foi um investimento muito importante para a terra e este agora começa a dar os seus frutos. Nunca Peraboa teve esta visibilidade. O Museu é um projeto nacional e não somente regional. Conseguimos impor o museu no roteiro turístico nacional.”.

No que diz respeito ao público alvo, os turistas brasileiros e os espanhóis ocupam um lugar de relevo, destacando ainda grupos, ligados ao mundo universitário e educativo dos vários graus de ensino, desde o 1.ºCiclo ao 12º Ano de escolaridade. Peraboa recebe públicos com linguarejares dos quatro cantos do mundo.

As visitas guiadas, enriquecem o saber de cada um, sem elas, a temática da pastorícia passaria despercebida, visto ser um tema bastante abrangente que está enraizado nas gentes das beiras. Para o diretor, Pedro Silveira, entusiasta deste projeto, e presente diariamente desde a abertura, e em jeito de balanço: “O Museu tem crescido de uma forma sustentada, paulatinamente. Tentamos envolver o visitante na visita guiada, partindo sempre do seu conhecimento que tem acerca desta temática: a pastorícia, o queijo… Todos os nossos visitantes têm visita guiada, portanto é o que nos destaca dos outros museus.”.

Ao longo destes quase dois anos de existência, o museu do queijo estabeleceu várias parcerias com empresários, ligados à pastorícia, ao queijo e à agricultura. Assim, o visitante tem a oportunidade in loco de observar como se faz a ordenha, a tosquia, o queijo.

“Os nossos parceiros são uma peça fundamental para o êxito do museu digamos, ajuda-nos a consolidar os conteúdos abordados, aliando a teoria à prática. Falo dos empresários de Peraboa, José e Eduardo Braz (Fábrica Braz), da Quinta Pedagógica (Daniel e João Anastácio) e da Quinta do Limite (Sandrina Melfe).”.

A Quinta Pedagógica Pastoril tem sido muito visitada, e é onde miúdos e graúdos podem experimentar e participar num percurso real que envolve todo o ciclo do queijo. “As visitas à quinta são programas reservados a grupos. A criança, por exemplo, conhece a raça de ovelha Churra Mondegueira, autotone da Serra da Estrela. Esta raça está em vias de extinção, e dar a conhecer esta mesma é uma forma de a proteger.

Por outro lado, as crianças podem fazer a ordenha e prensar o queijo nos acinchos, utilizando ainda a velha francela de madeira (mesa do queijo). Já na primavera, outro momento alto, observarem como se faz a tosquia”, acrescentou Pedro Silveira.

“Outras iniciativas que desenvolvemos e que tiveram uma aceitação muito positiva por parte do público foram as caminhadas pastoris. Tentou-se revitalizar, de uma forma dramatizada, a Transumância, passagem dos gados, por exemplo das terras altas, para as terras baixas, até Idanha-a-Nova. No que toca à identificação e preservação do património Pastoril em Peraboa, destacamos as canadas.

Estas são lugares de passagem dos rebanhos para que estes não invadissem os terrenos cultivados e também serviam para encurtar distâncias. Ainda a destacar, a tertúlia sobre o Queijo, a Lã e a Neve foi muito participada. Outro programa, que teve uma enorme aceitação, foi de facto Vamos apanhar a cereja,na Quinta do Limite.

Os participantes, para além de visitarem o museu, tiveram oportunidade de colher e saborear cerejas à descrição, levando para casa, no final da atividade, 1 quilo de cerejas. Este ano vamos repetir a experiência… No fundo, tentamos envolver as pessoas da terra, estimulando a economia local.

Outro momento bom foi a dinamização de um ateliê de pintura, promovido ao vivo, para a comunidade. A nossa pintora Maria da Guia e o pintor Alberto Péssimo do Porto, mais a sua equipa, pintaram uma tela enorme, na qual retrataram a vida bucólica de Peraboa. É uma tela magestosa de uma qualidade artística fantástica. O tema da pastorícia foi o mote para a grandiosidade da pintura.”.

“Outra temática que tem agradado aos visitantes é a cultura judaica. O Museu do Queijo situa-se numa antiga judiaria e, por incrível que pareça, Peraboa foi pioneira em Portugal na produção do Queijo Kosher – pela mão da Fábrica Braz. Iniciou a sua produção em 2008. Toda a Cova da Beira (Vale dos Judeus) foi fortemente habitada por “Marranos”, cripto – judaicos (conversão à força).

Os judeus que habitaram as beiras mantinham vivos e em segredo os seus ritos judaicos, mesmo tendo sido convertidos, de uma forma forçada, ao cristianismo. Todos estes conteúdos são abordados no museu, integrando-se o queijo Kosher (como é o caso do queijo Chaval Israel), que é produzido exclusivamente na Fábrica Braz para a comunidade ortodoxa dos Estados Unidos da América, Europa, outros. “Não se fazia queijo kosher há 500 anos na Peninsula Ibérica e foi precisamente esta empresa a pioneira.”.

Para terminar, o Presidente da Junta referiu ainda: “Vamos tentar responder às necessidades dos nossos visitantes, não só promovendo as nossas potencialidades, como salvaguardando os hábitos, os costumes, as tradições de uma atividade que é tão nossa.”.